segunda-feira, 14 de julho de 2025

Português para concurso - Nível Superior. Banca Idecan

Cultura 

Ele disse: “O teu sorriso é como o primeiro suave susto de Julieta quando, das sombras perfumadas do jardim sob a janela insone, Romeu deu voz ao sublime Bardo e a própria noite aguçou seus ouvidos”. 

E ela disse: “Corta essa.” 

E ele disse: “A tua modéstia é como o rubor que assoma à face de rústicas campônias acossadas num quadro de Bruegel, pai, enaltecendo seu rubicundo encanto e derrotando o próprio simular de recato que a natureza, ao     deflagrá‐lo, quis.” 

E ela disse: “Cumé que é?” 

E ele: “Eu te amo como jamais um homem amou, como o Amor mesmo, em seu autoamor, jamais se considerou capaz de amar.” 

E ela: “Tô sabendo…” 

“Tu és a chuva e eu sou a terra; tu és ar e eu sou fogo; tu és estrume, eu sou raiz.” 

“Pô!” 

“Desculpe. Esquece este último símile. Minha amada, minha vida. A inspiração é tanta que transborda e me foge, eu estou bêbado de paixão, o estilo tropeça no meio‐fio, as frases caem do bolso…”estou bêbado de paixão, o estilo tropeça no meio‐fio, as frases caem do bolso…” 

“Sei…” 

“Os teus olhos são dois poços de águas claras onde brinca a luz da manhã, minha amada. A tua fronte é como o muro de alabastro do templo de Zamaz‐al‐Kaad, onde os sábios iam roçar o nariz e pensar na Eternidade. A tua boca é uma tâmara partida… Não, a tua boca é como um… um… Pera só um pouquinho…” 

“Tô só te cuidando.” 

“A tua boca, a tua boca, a tua boca… (Uma imagem, meu Deus!)” 

“Que qui tem a minha boca?” 

“A tua boca, a tua boca… Bom, vamos pular a boca. O teu pescoço é como o pescoço de Greta Garbo na famosa cena da nuca em Madame Walewska, com Charles Boyer, dirigido por Clawrence Brown, iluminado por… 

“Escuta aqui…” 

“Eu tremo! Eu desfaleço! Ela quer que eu a escute! Como se todo o meu ser não fosse uma membrana que espera a sua voz para reverberar de amor, como se o céu não fosse a campana e o Sol o badalo desta sinfonia especial: uma palavra dela…” 

“Tá ficando tarde”. 

“Sim, envelhecemos. O Tempo, soturno cocheiro deste carro fúnebre que é a Vida. Como disse Eliot, aliás, Yeats – ou foi Lampedusa? –, o Tempo, esse surdo‐mudo que nos leva às costas…” 

“Vamos logo que hoje eu não posso ficar toda a noite.” 

“Vamos! Para o Congresso Carnal. O monstro de duas costas do Bardo, acima citado. Que nossos espíritos entrelaçados alcem voo e fujam, e os sentidos libertos ergam o timão e insuflem as velas para a tormentosa viagem ao vórtice da existência humana, onde, que, a, e, o, um, como, quando, por que, sei lá…” 

“Vem logo.” “Palavras, palavras…”

 “Depressa!” 

“Já vou. Ah, se com estas roupas eu pudesse despir tudo, civilização, educação, passado, história, nome, CPF, derme, epiderme… Uma união visceral, pâncreas e pâncreas, os dois corações se beijando através das grades das caixas torácicas como Glenn Ford e Diana Lynn em…” 

“Vem. Assim. Isso. Acho que hoje vamos conseguir. Agora fica quieto e…” 

“Já sei!” 

“O quê? Volta aqui, pô”…” 

“Como um punhado de amoras na neve das estepes. A tua boca é como um punhado de amoras na neve das estepes! 

(VERÍSSIMO, Luiz Fernando.)


1. A partir da linguagem apresentada no diálogo, é correto afirmar que:

a) a intenção comunicativa dos personagens é anulada em virtude da inadequação linguística. 

b) há uma superioridade de uma variedade apresentada em relação à outra considerando‐se o contexto apresentado. 

c) ela é a grande responsável pela caracterização de cada um dos personagens, permitindo reconhecê‐los de forma definida. 

d) revela particularidades de vocabulário demonstrando neologismos e regionalismos, características das linguagens utilizadas pela personagem feminina e pela personagem masculina, respectivamente.   


2. Além do diálogo inusitado em que os personagens apresentam distanciamento quanto à linguagem utilizada, o autor utiliza, como recurso, expressões que produzem efeito de humor. Assinale o segmento em destaque em que tal fato pode ser observado.   

a) “Que qui tem a minha boca?” (15º§) 

b) “Eu tremo! Eu desfaleço! Ela quer que eu a escute!” (18º§) 

c) “Vamos logo que hoje eu não posso ficar toda a noite.” (21º§) 

d) “A tua boca, a tua boca, a tua boca… (Uma imagem, meu Deus!)” (14º§)


3. Em relação à construção “Tu és a chuva e eu sou a terra;” (7º§) o personagem utiliza:   

a) a intensificação daquilo que é anunciado.    

b) possibilidade de haver realização simultânea de opostos. 

c) equiparação entre elementos através de uma relação de contiguidade. 

d) o emprego de palavras de um determinado domínio de conhecimento para verbalizar experiências de outro domínio. 


4. Em “Romeu deu voz ao sublime Bardo e a própria noite aguçou seus ouvidos.” (1º§) é correto afirmar em relação aos termos destacados, que    

a) há apenas dois termos adjacentes, ou complementares, da forma verbal “deu”. 

b) há três complementos verbais, sendo a relação de transitividade diferente entre os mesmos. 

c) apenas dois deles podem ser identificados como complementos verbais que possuem uma relação indireta com o verbo ao qual estão ligados. 

d) o primeiro termo em destaque é o único complemento da forma verbal “deu” no segmento em análise, os demais são complementos de termos diferentes.   


5. Na linguagem utilizada pelo personagem masculino há predominância de determinada variedade linguística, porém, uma mudança quanto a tal escolha em razão de certa dificuldade na formulação do enunciado ocorre em: 

a) “... tu és estrume, eu sou raiz.” (7º§) 

b) “Desculpe. Esquece este último símile.” (9º§) 

c) “... o estilo tropeça no meio‐fio, as frases caem do bolso…” (9º§) 

d) “Não, a tua boca é como um… um… Pera só um pouquinho…” (12º§)


6. Leia um trecho do texto do professor Sírio Possenti.

“Saber falar significa saber uma língua. Saber uma língua significa saber uma gramática. [...] 

As crianças, por exemplo, não estudam sintaxe da colocação antes de ir à escola, mas, sempre que falam sequências que envolvem, digamos, um artigo e um nome, dizem o artigo antes e o nome depois. [...]”

(POSSENTI, Sírio.) 

Acerca do trecho lido, pode‐se afirmar que as considerações feitas refletem características da:   

a) gramática prescritiva ou normativa. 

b) gramática descritiva, ou gramática explícita. 

c) gramática latente, no domínio restrito de cada língua. 

d) gramática universal, que diz respeito às características próprias de cada língua.  


Uma esperança 

Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica‐se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto. 

Houve um grito abafado de um de meus filhos: 

– Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser. 

– Ela quase não tem corpo, queixei‐me. 

– Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças. 

Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender. 

– Ela é burrinha, comentou o menino. 

– Sei disso, respondi um pouco trágica. 

– Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita. 

– Sei, é assim mesmo. – Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas. 

– Sei, continuei mais infeliz ainda. 

Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando‐a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse. 

– Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.

Andava mesmo devagar – estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo. 

Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia “a” aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar‐se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê‐la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança: 

– É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte... 

– Mas ela vai esmigalhar a esperança! respondeu o menino com ferocidade. 

– Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros – falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança. 

O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo. 

Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá‐la. 

Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: “e essa agora? que devo fazer?” Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada. 

(LISPECTOR, Clarice)


7. Considerando‐se o gênero textual apresentado, leia as características a seguir e assinale apenas as que lhe podem ser atribuídas. 

I. Desenrolar de um conflito interior. 

II. Narração de duas histórias simultâneas. 

III. Independência textual em relação ao leitor.   

IV. Temporalidade narrativa composta por dois tipos temporais diferentes.   Estão presentes no texto apenas as características.


a) I e II.       

b) III e IV.     

c) I, II e III.     

d) I, II e IV.


8. Em relação ao conto de Clarice Lispector, é correto afirmar que sua construção acontece, principalmente em função 

A) da descrição do convívio familiar. 

B) de um fato ao mesmo tempo simples e inusitado.   

C) do pessimismo gerado pela narradora personagem. 

D) de dois possíveis sentidos atribuídos a um mesmo vocábulo. 


9. Quanto à classificação sintática dos termos da oração, identifique o que DIFERE dos demais destacados nos segmentos a seguir: 

a) “E, acho que não aconteceu nada.” (22º§) 

b) “Houve um grito abafado de um de meus filhos:” (2º§) 

c) “– Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós,...” (5º§) 

d) “Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.” (3º§)


10. Considere o trecho “[...] e como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.” (5º§) e os comentários a seguir assinalando o verdadeiro. 

a) A forma verbal “são” prejudica a compreensão textual tendo em vista a expressão no singular “uma surpresa”. 

b) Uma alternativa de construção , mantendo o sentido original, para “que ele falava das duas esperanças” é “que se falavam das duas esperanças”. 

c) Caso o termo “ele” fosse omitido, a forma verbal “falava” seria empregada, obrigatoriamente, no plural; tendo em vista seu antecedente.   

d) Uma possibilidade de reescrita em que há correção gramatical, desconsiderando alteração de sentido, seria: “... e como filho é surpresas para nós...” 


11. Tendo em vista o processo de comunicação e os elementos que o compõem, pode‐se afirmar que o último parágrafo do texto pode ser visto com um exemplo em que: 

a) a comunicação está centrada no referente; a principal função do emissor é informar. 

b) o texto torna‐se persuasivo através da linguagem conativa, estando a mensagem centrada no receptor. 

c) a função da linguagem está centrada no emissor da mensagem, veicula seus sentimentos, emoções e julgamentos; o texto é subjetivo. 

d) a função da linguagem empregada no trecho em análise está centrada no código, trazendo explicações e definindo o que não está claro. 

 

12. As palavras, de acordo com sua classificação morfológica e funções comunicativas, podem apresentar diferentes efeitos discursivos. De acordo com o exposto, analise dois segmentos a seguir. 


I. “Mas ela vai esmigalhar a esperança!” (18º§) 

II. “Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive...” (21º§) 


Sobre os dois segmentos destacados anteriormente, é correto afirmar que:

a) expressam uma relação de contraste entre dois fatos e/ou ideias. 

b) demonstram realce a todas as alternativas do enunciado expresso. 

c) demonstram a continuidade lógica do raciocínio iniciado anteriormente.   

d) expressam relações diferentes tendo em vista o período anterior a cada um.


13. Acerca da expressão das intenções comunicativas do enunciador, considere o segmento “E, acho que não aconteceu nada.” (22º§) e assinale dentre o grupo de exemplos a seguir, o que mais se aproxima em relação à modalização enunciativa.   

a) Esse projeto precisa ser concluído. 

b) A sessão terminará daqui a alguns minutos.   

c) Disse que ela conhece todo o procedimento necessário. 

d) É possível que tenha obtido sucesso neste empreendimento.


14. Dentre as expressões destacadas, apenas uma NÃO produz o mesmo efeito de sentido visto nas demais; assinale‐a. 

a) “Aqui em casa pousou uma esperança.” (1º§) 

b) “... respondeu o menino com ferocidade.” (18º§) 

c) “– Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira!” (3º§) 

d) “... esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim,...” (3º§)


15. Acerca do processo que consiste em combinar duas unidades livres, através do uso de conectivos destacados, identifique a correta relação indicada entre os dois termos associados.   

a) “tem idade para isso” (3º§) / fim.         

b) “surpresa para nós” (5º§) / preterição.  

c) “ouviu e riu de prazer.” (20º§) / referência. 

d) “Não senti nada, de tão leve que era” (22º§) / meio. 


16. Quanto à formação de palavras, em português há cinco processos principais, dentre eles a derivação e composição. 

Em “Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.” (3º§) o termo destacado é formado por meio de acréscimo de afixo cujo sentido equivale ao visto em todos os vocábulos da alternativa: 

a) insolar, inscrever, inativo.       

b) indelicado, inserir e infixo.          

c) influir, incrustar e incriminar. 

d) imprestável, imberbe e indispensável.  



Eu tinha vontade de fazer como os dois homens que vi sentados na terra escovando osso. No começo achei que aqueles homens não batiam bem. Porque ficavam sentados na terra o dia inteiro escovando osso. Depois aprendi que aqueles homens eram arqueólogos. E que eles faziam o serviço de escovar osso por amor. E que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam enterradas por séculos naquele chão. Logo pensei de escovar palavras. Porque eu havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. Eu queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras. Eu já sabia também que as palavras possuem no corpo muitas oralidades remontadas e muitas significâncias remontadas. Eu queria então escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma. Para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda bígrafos. Comecei a fazer isso sentado em minha escrivaninha. Passava horas inteiras, dias inteiros fechado no quarto, trancado, a escovar palavras. Logo a turma perguntou: o que eu fazia o dia inteiro trancado naquele quarto? Eu respondi a eles, meio entresonhado, que eu estava escovando palavras. Eles acharam que eu não batia bem. Então eu joguei a escova fora.    

(Manoel de Barros)


17. Durante uma aula sobre o emprego dos pronomes, particularmente os pessoais, foi apresentado o seguinte quadro aos alunos: 


Pronomes Retos.............. Pronomes Oblíquos

Eu..................................... me, mim, comigo.

Tu..................................... te, ti, contigo.

Ele...................................... o, a, lhe, se, si, consigo. 

Nós...................................... nos, conosco.

Vós...................................... vos, convosco.

Eles....................................... os, as, lhes, se, si, consigo. 


O professor esclareceu ainda que “na língua culta, só os pronomes oblíquos aparecem regidos de preposição”. Diante da frase vista no texto “Eu respondi a eles, meio entresonhado, que eu estava escovando palavras.” surgiu uma dúvida em relação à construção “respondi a eles”, diante da qual o professor completou a explicação corretamente da seguinte forma: 

a) “Trata‐se do registro da variedade linguística não padrão.” 

b) “A preposição, nesse caso, rege o verbo, e não o pronome.” 

c) “Deverá ser feita a correção, substituindo ‘respondi a eles’ por ‘os respondi’.” 

d) “As formas nós, vós, ele (e variações) são oblíquas quando regidas de preposição.”


18. Outra alternativa estrutural em que há correção gramatical e semântica para comunicar o mesmo conteúdo de “Eles acharam que eu não batia bem. Então eu joguei a escova fora.” está em, EXCETO:   

a) Joguei a escova fora quando eles acharam que não batia bem. 

b) Quando eles acharam que eu não batia bem, joguei a escova fora. 

c) Quando eu joguei a escova fora, eles acharam que eu não batia bem. 

d) Eles acharam que eu não batia bem; nessa ocasião, joguei a escova fora.   


19. Considerando que as alternativas de A a D da questão anterior apresentam períodos constituídos, assinale a afirmativa correta.   

a) Em todos os períodos é possível indicar o emprego de uma locução indicando concessão.   

b) A subordinação de orações está presente em todos os períodos, com exceção do iniciado pelo pronome “eles”. 

c) A locução “nessa ocasião”, que inicia a oração, indica um sentido temporal em relação à informação do período. 

d) A oração “que eu não batia bem”, presente nos quatro períodos, constitui oração coordenada tornando‐a um  elo sintático.


20. No texto transcrito, o autor fala de uma relação pessoal com a palavra que de igual modo pode ser observada através do segmento a seguir, EXCETO: 

a) “Torce, aprimora, alteia, lima 

A frase; e, enfim, 

No verso de ouro engasta a rima, 

Como um rubim.” 

(Olavo Bilac.) 


b) Chega mais perto e contempla as palavras. 

Cada uma 

tem mil faces secretas sob a face neutra 

e te pergunta, sem interesse pela resposta, 

pobre ou terrível que lhe deres: 

Trouxeste a chave? 

(Carlos Drummond de Andrade.) 


c) Pedras vivas de possibilidade 

as palavras levantam 

o crime, os pássaros do pântano 

(Casimiro de Brito.) 


d) Minhas filhas, escutai 

palavras de minha boca. 

Era uma dona de longe, 

vosso pai enamorou‐se. 

(Carlos Drummond de Andrade.)


21.

I. “Falar contra a ‘gramatiquice’ não significa propor que a escola só seja ‘prática’, não reflita sobre questões de língua. Seria contraditório propor esta atitude, principalmente porque se sabe que refletir sobre a língua é uma das atividades usuais dos falantes e não há razão para reprimi‐la na escola. Trata‐se apenas de reorganizar a discussão, de alterar prioridades [...]”                       

(POSSENTI, Sírio.) 


II. “Desse modo, a glotodidática não pode, sem uma análise mais profunda, adotar como normais na gramática escolar ‘desvios’ da chamada língua padrão só pelo peso da sua frequência na chamada língua coloquial ou familiar.” 

(BECHARA, Evanildo.)   

*(As fontes completas foram omitidas propositadamente). 

Em relação aos fragmentos e aos pontos de vista apresentados, pode‐se afirmar que os dois: 

a) divergem totalmente acerca da importância do ensino da gramática na escola. 

b) tratam de formas diferentes do mesmo assunto, utilizando como recurso de argumentação a intergenericidade. 

c) convergem para um ponto em comum, não apresentando qualquer tipo de divergência quanto ao assunto tratado. 

d) tratam de assuntos e temas diferentes, porém, complementares considerando‐se a necessidade da sistematização do ensino da língua padrão.


22. Durante um trabalho de reescritas de textos de uma turma, o professor se depara com a seguinte frase: “Foi difícil para mim perceber o erro”. 

Com o objetivo de ampliar o conhecimento do aluno em relação à atividade proposta, o professor deverá 

a) esclarecer acerca do uso indevido do pronome oblíquo nesta frase. 

b) manter a frase como está, pois, tal construção está adequada de acordo com a norma padrão da língua.   

c) não fazer qualquer comentário ou alteração para que a escolha pela variante não padrão seja valorizada. 

d) confrontar o uso inadequado aplicado pelo aluno com a escolha adequada permitindo que ele mesmo tire suas conclusões.   


23. Segundo Marilena Chauí, em seu livro Convite à Filosofia (2008), a disciplina denominada ética nasce quando se passa a indagar o que são, de onde vêm e o que valem os costumes, ou seja, nasce quando também se busca compreender o caráter de cada pessoa. Considerando um ambiente de trabalho, muitos processos ético‐disciplinares são esperados do profissional.  Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma conduta ética coerente num grupo de trabalho. 

a) Corresponder à confiança que é depositada pelo grupo, nesse profissional. 

b) Corrigir condutas inadequadas, seja por percepção própria ou por solicitação. 

c) Estabelecer relações genuínas com as pessoas, independente se forem da equipe ou não.

d) Aproximar dos colegas com atitudes de confidencialidade para captar informações de interesse dos superiores.


24. Muitos são os autores que discutem e conceituam ética. Uma das possíveis definições é de que ela seria uma parte da filosofia que lida com a compreensão das noções e dos princípios que sustentam as bases da moralidade social e da vida individual. Em outras palavras, trata‐se de uma reflexão sobre o valor das ações sociais consideradas tanto no âmbito coletivo quanto no âmbito individual. Analise as afirmativas a seguir, marque V para as verdadeiras e F para as falsas. 

(     ) Sócrates, Platão e Aristóteles foram responsáveis por propor uma espécie de “estudo” sobre o que de fato poderia ser compreendido como valores universais a todos os homens, buscando, dessa forma, ser correto, virtuoso, ético. 

(     ) Os sociólogos clássicos foram os primeiros a discutir sobre ética, num esforço pelo exercício de um pensamento crítico e reflexivo quanto aos valores e costumes dos seres humanos. 

(     ) A ética seria uma reflexão acerca da influência que o código moral estabelecido exerce sobre a nossa subjetividade, nossa forma de conduta. 

(   ) Consciência e responsabilidade são condições indispensáveis à vida ética ou moralmente correta. 


A sequência está correta em: 

a) F, F, V, F.     

b) V, V, F, F.     

c) V, F, V, V.     

d) F, V, F, V. 


25. Pensar no compromisso ético de um profissional é pensar no significado de seus atos, como o ato de ensinar para um professor. Ser ético é buscar a reflexão sobre o que é bom ou mau, justo ou injusto, correto ou incorreto e adequado ou inadequado, para encontrar bons caminhos na atuação profissional. Esta reflexão sobre a ação humana é que caracteriza a ética. A propósito desta temática, cabe ao profissional: 

a) Entender que essa teoria filosófica não sustenta uma prática. 

b) Adotar uma visão positivista, idealista e materialista da relação do sujeito com o mundo.

c) Buscar a integração do sujeito com ele mesmo, distanciando‐o dos aspectos circunscritos ao social. 

d) Pensar a relação sujeito e objeto, buscando a síntese das múltiplas determinações pessoais, particularidades e estruturais.

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